sexta-feira, 27 de maio de 2016

Espinhos e Pedras




Às vezes espinhos, outras tantas pedras...
O vazio da dor, 
Em sonhos corrompidos
Mas tudo sufoca, 
Na lâmina que corta
Tanto faz...
Espinhos, 
Pedras...
Uns sangram, 
Outros sufocam. 
O medo...
Depois do mergulho, 
Restam algumas flores...
O espinho que morre, 
A pedra que se desfaz...


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Por hoje

Hoje brinco...
Saudades que já senti. 
O mundo é mesmo circular...
Um pingo de amor em meio ao inverno espacial. 
O tempo em que fomos perfeito, 
E não sentíamos nossas mãos, 
Procurando nossos rosto, 
Hoje assombrados pela nossa desilusão. 
Quem sabe o porquê de tudo isso, 
Dessa safra de mortos que não disseram adeus. 
Cada beijo que existe, 
Trará em si aquilo que separa, aquilo que se perde. 
Cada frase que eu invento, 
Ecoa pelos meus próprios rastros,
Nessa terra de cimento e ganância, 
Fomos poucos, fomos pobres. 
O que me consola é o vinho sob o abajur, 
É o filho que acolhemos em nossos braços, 
É a certeza de que esse fio tênue de nossos sonhos, 
Sempre vai existir, 
Remendando os espaços vazios
Entre uma estrela e outra. 
Sou assim. 
Lamento e tento ser feliz...
Meu telefone só cai na caixa postal. 
Acho que não estou. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Aluga-se São Paulo

ALUGA-SE SÃO PAULO

É por aqui mesmo, São Paulo à direita.

Temos hotéis baratos no centro da cidade, onde são garantidos noites de paixão.

Temos café expresso em qualquer esquina, até mesmo com um pouco de chantilly.

Temos o último filme finlandês em cartaz na Avenida Augusta. Sessão meia-noite sem legendas. 

Temos feira livre todos os dias da semana, embora a que eu freqüente só bloqueia a rua às sextas-feiras, mas como é bom comprar um botão de rosa fresquinho na barraca da japonesa.

Temos metrô de minuto em minuto. Todos cheios de trabalhadores cansados, e meia dúzia de estrangeiros perdidos entre as estações.

Temos  bares com couvert de quinze reais, com dez fregueses comendo batata frita enquanto relembram suas desilusões. Amei muito ouvindo Tim Maia.

Temos roupas caras na Oscar Freire, feitas só para baladas onde a etiqueta cai dentro do copo de uísque.

Temos museus para lembrar que só se pinta um Picasso uma vez em toda a existência humana.

Temos clássicos do Palmeiras toda quarta-feira, embora só se faça gols aos sábados.

Temos arranha-céus de última geração, com janelas que espelham o céu em todas as direções, e tudo bloqueado por senhas.

Temos mendigos em todos os cruzamentos, quando os vidros dos carros se fecha e a adrenalina vai à mil, todos disfarçando o pavor profundo de um assalto.

Temos cemitérios que não são ampliados à décadas. Me pergunto quantos andares debaixo da terra
.
Temos diamantes em joalherias caras, para que nos lembremos para que servem diamantes, embora no fundo, são apenas pedras por onde passa a luz.

Temos milhares de caixas eletrônicos espalhados pela cidade, embora só ficam abertos à noite para serem dinamitados e o dinheiro se espalhar pelo chão manchado de tinta.

Temos árvores centenárias em vários bairros de classe média alta, com a tradição de desabarem nos temporais de janeiro sempre em cima de algum carro.

Temos sorveterias que sempre têm sorvete de pistache, embora sempre queremos experimentar outros sabores. Mas pode roubar de colherzinha umas duas vezes, se quiser.

Temos shows de bandas que ninguém nunca ouviu falar, mas que é super legal para conhecer os amigos dos integrantes das bandas. Assim a conversa fica mais legal.

Temos meninas super a fim de beijar a minha boca, mas que ainda não sabem o quanto eu sou legal, principalmente depois de meia dúzia de cervejas.

Temos apartamento de cobertura sempre vazios, esperando que alguém se suicide em meio ao dinheiro e à solidão.

Temos poesia atrás de cada janela que se acende por trás da cortina de recortes de jornais, embora tantas  camas estão cobertas de pó.

Temos colônias de imigrantes de todas as partes do mundo, embora colônia seja coisa de formigas, e por aqui já estão todos cansados de trabalhar.

Temos fábricas de comida em conserva, que faz um mal danado à saúde, mas que são ótimas para se empilharem nos supermercados e liquidar na  promoção.

Temos corações penhorados em alguma rua que ainda é a mesma de cinqüenta anos atrás. Foi bem lá, numa travessa da Avenida São João que Maria perdeu seu grande amor.

E o que mais temos em São Paulo?


À essa hora, quase 20:02 da noite, quando todos se recolhem em suas casas, e esperam o dia de amanhã, com a esperança que não seja diferente desse ontem que já foi, é que eu me sinto feliz por viver por aqui. Nesse vai e vem anônimo, quase ninguém se encontra, e quando se perdem, acreditam que São Paulo é a única testemunha de sua loucura, nesse quadro fantasmagórico que pintamos em nossas paredes. 

terça-feira, 24 de março de 2015

A Flecha na Escuridão




Silêncio nessas horas rasuradas.
O que procuro, o que espero?
Lenta decisão consumida pelo tempo. 
Procuro janelas abertas, 
Só encontro esparadrapos. 
O mundo feito um triângulo raso, 
De onde as flechas torcem a espinha.
Espírito antigo, 
Liberte-me das algemas dos meus pés...
Quero voar, 
Respirar a liberdade em paraísos do olhar. 
E esse amor, 
Distante e profano, 
Se torne a essência dos contornos imaginários
Das nossas mãos que se perdoam, 
Desde quando não existimos mais, 
Por tudo que fomos depois...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Coração



Agora que te encontrei, 
Coração. 
Selvagem e inconsequente. 
Rasgamos nossas ilusões, 
Adormecemos em nossas mãos, 
Iludidos com a eternidade, 
Do espírito livre, 
Sem a origem do tempo, 
Em lágrimas de solidão, 
Nesse espaço avesso da nossa matéria, 
Mergulhados no amor real, 
Que nos salva e protege, 
Dos ventos da maldade, 
Que nos atirou no chão, 
E sugou nossos sonhos.

domingo, 3 de agosto de 2014

Livro Pronto

 
 
 
 
Impressora nova
Papel reciclado
Sem grana para Encadernação,
Rendinha para enfeitar,
ISBN catalogado,
Falta a florzinha seca para dar o toque final...
Por enquanto só 30 exemplares....
Falta organizar o lançamento,
E ver o que acontece....
Mas muito, muito feliz :)
 
 
 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Sendo - Verbo?




Deus...
Que palavra para nos salvar?
Agora que tudo parece perdido, 
Nosso leito atirado no inferno...
Tentações menores, 
Sonhos maiores...
E precipícios em que caímos, 
Acorrentados em nossas fraquezas. 
O amor...
Desejo da liberdade, 
Perdida em outra vida. 
Agora, 
Deus...
Quem precisa de naves espaciais, 
Bizarra ilusão dos céticos, 
Poema da nossa desilusão. 
Os homens cavaram a minha sepultura no útero. 
Arranque as larvas, 
E os chips de controle de tempo. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

BEYOND





What is destiny, beyond our dreams?
Are we going to fall into the heart of the sun, 
Where we burned our shadows?
I've been thinking about no existence...
It's true?
Should I fall asleep?
And your kiss?
With your eyes changing the colors of my love...
Are you here, in this tears of our own loneliness?
Would you rescue ourselves for a last dream...
My poetry, my fears, 
My broken soul...
Hope...
Our only choise...
May God to exist?

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A Fé



Dos lados em que nos perdemos
Existimos em nossos sonhos, 
Em memórias guardadas, 
No silêncio de nosso olhar. 
Essas horas que parecem as últimas, 
Quando a madrugada nos afasta, 
Ou quando morremos em nossas mãos. 
O amor que nos deixou essas lágrimas, 
Nossos espíritos amaldiçoados, 
Nessas sombras que nos engolem, 
E nos destroem em nossas ruínas...
Parece fácil, deixar o deserto de nossos corações, 
Na nossa fraqueza diante de todas as vinganças, 
Mas essa vontade, 
Esse desejo de ver o céu se colorir, 
E dar um sentido para a esperança de nossas orações, 
Ainda é o que nos arrasta, 
Dia após dia, 
Para encerrar a noite, 
Em nossas roubadas ilusões, 
Nessa pele que ainda respira, 
Nossas últimas intenções...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Oração


Desse destino incerto aos meus olhos, 
Restando entre as frestas um céu que eu nunca vi, 
E um poema silencioso. 
Deus... Se a hora é precisa, 
Nos lábios que eu beijo, 
Guarda os vestígios da minha mortalidade, 
Dos tempos de sol, 
Quando o tempo vazio dos meus pensamentos, 
Erguiam castelos de sonhos...
Perdoa-me, meu amor...
Minhas asas... Precisam voar, 
e voltar para o seu coração...
Tudo que perdi... 
Eu já me esqueci...



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Às Margens da Maré




Essas ruas que sigo, 
Em que tempo não mais existirão?
Essas últimas roseiras, onde crescerão?
E nas janelas dos prédio de última geração, 
Quem não terá se suicidado?
Existirá papel quando ninguém mais quiser escrever?
Esse tempo de tantos adeuses, 
Quem quer se encontrar realmente?
Os casulos escuros dos nossos cobertores, 
Nossas feridas sem cura, 
A letargia diante da chuva que tudo alaga....

Mas ainda ouço pássaros...
Posso comprar um vestido de festa. 
Posso imaginar o amor eterno, 
Nesse Deus eterno, e cansado. 
Deus que quer esquecer das roseiras, 
E de tantos corações partidos. 

Uma Poesia






Dos lábios que se partem, 
Nessas horas de solidão. 
O amor, essa matéria que nos divide, 
No labirinto de espelho...
Como posso amar algo além, 
Ilusão frágil, espinhos no caminho.
As palavras, meu abrigo. 
Mentiras que eu não conto para mim. 
Vejo um rio distante. 
Neve que queima. 
Dois pássaros que voam...
É muito pouco essa distância?
Meus dedos, pequenas ilhas, 
Que tocam meus lábios, 
E inventam meu desejo. 
Meus dedos, pequenos escravos, 
Tocaram algumas nuvens...
Tudo virou pó. 


sábado, 25 de janeiro de 2014

Solidão

 
 
 
Essas metades que nos partem...
Existem histórias que nunca serão contadas,
E lágrimas que não precisam ser choradas.
Mas o tempo do orvalho é eterno.
Como a poeira do meu amor imaculado.
Hoje é sempre a minha última tentativa.
E me esqueço das florestas de pinheiros.
O luar parece o mesmo.
As estrelas que não existem mais ainda brilham.
Eu ando pelas ruas...
Sinto inveja até,
Dos quartos escuros.
Dos poemas de corações empedrados,
Que se agarram à suas solidões...
Esse refúgio da mentira de nossa vaidade,
E traidora da beleza de um sorriso,
Ou de uma lágrima de felicidade.
 
 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Beco

 
 
 
 

Às vezes a vida nos leva à becos sem saída.
Tão escuros e pensamos em voltar atrás,
Arranjar alguma vela.
Que palavras medonhas jamais teriam sido escritas,
Se não fosse exatamente um muro que se fechava atrás de nós?
E nesse chão de tantas pedras,
Nossos próprios muros caídos.
Mas basta erguer os olhos,
A visão sempre turva pela falta das lentes de contato,
E enxergar a luz lá adiante,
Roubada de alguma estrela.
Para nos guiar em seus rastros gelados,
E tentar fugir do calor artificial,
Dessas lâmpadas elétricas.
E desses fornos micro-ondas de última geração.
... 
Preciso de um copo de vinho.
Envelhecido na boca de algum poeta.
 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Roupas Nuas

 

Minhas roupas...
Poucas roupas,
Seios de sobra.
Deixo-me nua no céu azul,
As nuvens meu leito,
Num sonho...
Poucas roupas,
Os vestidos coloridos nos cabides...
Quem demora à essa hora?
Largos passos indecisos...
Boto fogo nos vestidos.
Já me viram nua, houveram pedras...
E agora danço.
Tiro minhas roupas no palco vazio.
Nem era atriz, não sabia fazer chorar.
E quem assistia, Meu Deus...
Já sabia.
 

domingo, 29 de dezembro de 2013

A Rosa

 

Era uma botão de rosa.
Era promessa para si.
Era a cor do seu sonho.
Os espinhos protegem.
Quem a toca, quem se fere...
Desabrochou. Pétalas macias.
Perfume que o Criador inventou.
Enfeitada em vestido de festa.
Mas lá mesmo,
No caule que a nutriu,
A rosa desfalece.
Foram os dias?
O sol estava forte?
E as pétalas murcham,
Douradas e secas.
De que valeu, rosa?
- Era rosa eu? Só estava morrendo de amor.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Traição

 

Hoje eu vi o rosto do meu assassino.
Chamou-me de irmã,
Depois cortou os meus cabelos,
E afiou o punhal.
...
Tem coisas que jamais serão esclarecidas,
E o mundo nunca será perfeito.
Algumas pessoas não se pode amar...
Embora tantas beijem os seus pés.
Algumas pessoas não se pode amar...
E eu sou uma delas...
Eu só era uma criança,
E fui violentada e morta como tantas...
Depois os homens bebem e ninguém se lembra mais.
Se eu voltar a ver o sol se pôr...
Talvez o sol seja azul.
E talvez Deus exista.
Só para mim.
 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Passado 3:00 PM

 

Onde estava que não me via?
Foram as luzes dos motéis,
O vinho tinto à beira do Lago?
De que serve o passado?
As poesias se foram,
Não me lembro dos beijos,
E dos eu te amo das minhas lágrimas.
Sei que houve sempre uma espera...
Flores não chegaram,
Os minutos desapareceram
Nesse imutável relógio dos nossos sonhos.
Eu podia me ajoelhar,
E implorar um sorriso antigo.
Mas por que eu sorriria?
As minhas roupas eu perdi naquela festa,
Distribuindo cartões de visitas para estranhos.
Beijei o homem que eu mais queria,
Acordei no dia seguinte com cólicas menstruais.
O céu ainda encantado,
Me espera para um último adeus.
Mas eu queimei todas as minhas fotografias.
 
 

Hemisférios Imaginários

 

 
Os desejos...
Estes que nos destroem,
Nas lágrimas que escorrem sobre o seu ventre,
Quando tudo ainda é tão pouco...
Meu amor em outro hemisfério,
E no espelho que eu não consigo vislumbrar...
Feche os olhos,
Erramos em um mundo de poetas desiludidos,
Acreditamos em nossas próprias fraquezas,
Mas o que nos resta,
Nos últimos segundos programados,
É a extensa vaidade de nossa ilusão...
Meus poros exalando o seu suor,
Lentamente me consumindo...
Agarrando-me as suas coxas violadas,
Objeto de ódio de todos os paradoxos
Esperando Mercúrio fugir da sua órbita,
E nos aproximar de alguma estrela.
 
 
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