sexta-feira, 27 de maio de 2016

Espinhos e Pedras




Às vezes espinhos, outras tantas pedras...
O vazio da dor, 
Em sonhos corrompidos
Mas tudo sufoca, 
Na lâmina que corta
Tanto faz...
Espinhos, 
Pedras...
Uns sangram, 
Outros sufocam. 
O medo...
Depois do mergulho, 
Restam algumas flores...
O espinho que morre, 
A pedra que se desfaz...


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Por hoje

Hoje brinco...
Saudades que já senti. 
O mundo é mesmo circular...
Um pingo de amor em meio ao inverno espacial. 
O tempo em que fomos perfeito, 
E não sentíamos nossas mãos, 
Procurando nossos rosto, 
Hoje assombrados pela nossa desilusão. 
Quem sabe o porquê de tudo isso, 
Dessa safra de mortos que não disseram adeus. 
Cada beijo que existe, 
Trará em si aquilo que separa, aquilo que se perde. 
Cada frase que eu invento, 
Ecoa pelos meus próprios rastros,
Nessa terra de cimento e ganância, 
Fomos poucos, fomos pobres. 
O que me consola é o vinho sob o abajur, 
É o filho que acolhemos em nossos braços, 
É a certeza de que esse fio tênue de nossos sonhos, 
Sempre vai existir, 
Remendando os espaços vazios
Entre uma estrela e outra. 
Sou assim. 
Lamento e tento ser feliz...
Meu telefone só cai na caixa postal. 
Acho que não estou. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Aluga-se São Paulo

ALUGA-SE SÃO PAULO

É por aqui mesmo, São Paulo à direita.

Temos hotéis baratos no centro da cidade, onde são garantidos noites de paixão.

Temos café expresso em qualquer esquina, até mesmo com um pouco de chantilly.

Temos o último filme finlandês em cartaz na Avenida Augusta. Sessão meia-noite sem legendas. 

Temos feira livre todos os dias da semana, embora a que eu freqüente só bloqueia a rua às sextas-feiras, mas como é bom comprar um botão de rosa fresquinho na barraca da japonesa.

Temos metrô de minuto em minuto. Todos cheios de trabalhadores cansados, e meia dúzia de estrangeiros perdidos entre as estações.

Temos  bares com couvert de quinze reais, com dez fregueses comendo batata frita enquanto relembram suas desilusões. Amei muito ouvindo Tim Maia.

Temos roupas caras na Oscar Freire, feitas só para baladas onde a etiqueta cai dentro do copo de uísque.

Temos museus para lembrar que só se pinta um Picasso uma vez em toda a existência humana.

Temos clássicos do Palmeiras toda quarta-feira, embora só se faça gols aos sábados.

Temos arranha-céus de última geração, com janelas que espelham o céu em todas as direções, e tudo bloqueado por senhas.

Temos mendigos em todos os cruzamentos, quando os vidros dos carros se fecha e a adrenalina vai à mil, todos disfarçando o pavor profundo de um assalto.

Temos cemitérios que não são ampliados à décadas. Me pergunto quantos andares debaixo da terra
.
Temos diamantes em joalherias caras, para que nos lembremos para que servem diamantes, embora no fundo, são apenas pedras por onde passa a luz.

Temos milhares de caixas eletrônicos espalhados pela cidade, embora só ficam abertos à noite para serem dinamitados e o dinheiro se espalhar pelo chão manchado de tinta.

Temos árvores centenárias em vários bairros de classe média alta, com a tradição de desabarem nos temporais de janeiro sempre em cima de algum carro.

Temos sorveterias que sempre têm sorvete de pistache, embora sempre queremos experimentar outros sabores. Mas pode roubar de colherzinha umas duas vezes, se quiser.

Temos shows de bandas que ninguém nunca ouviu falar, mas que é super legal para conhecer os amigos dos integrantes das bandas. Assim a conversa fica mais legal.

Temos meninas super a fim de beijar a minha boca, mas que ainda não sabem o quanto eu sou legal, principalmente depois de meia dúzia de cervejas.

Temos apartamento de cobertura sempre vazios, esperando que alguém se suicide em meio ao dinheiro e à solidão.

Temos poesia atrás de cada janela que se acende por trás da cortina de recortes de jornais, embora tantas  camas estão cobertas de pó.

Temos colônias de imigrantes de todas as partes do mundo, embora colônia seja coisa de formigas, e por aqui já estão todos cansados de trabalhar.

Temos fábricas de comida em conserva, que faz um mal danado à saúde, mas que são ótimas para se empilharem nos supermercados e liquidar na  promoção.

Temos corações penhorados em alguma rua que ainda é a mesma de cinqüenta anos atrás. Foi bem lá, numa travessa da Avenida São João que Maria perdeu seu grande amor.

E o que mais temos em São Paulo?


À essa hora, quase 20:02 da noite, quando todos se recolhem em suas casas, e esperam o dia de amanhã, com a esperança que não seja diferente desse ontem que já foi, é que eu me sinto feliz por viver por aqui. Nesse vai e vem anônimo, quase ninguém se encontra, e quando se perdem, acreditam que São Paulo é a única testemunha de sua loucura, nesse quadro fantasmagórico que pintamos em nossas paredes. 

terça-feira, 24 de março de 2015

A Flecha na Escuridão




Silêncio nessas horas rasuradas.
O que procuro, o que espero?
Lenta decisão consumida pelo tempo. 
Procuro janelas abertas, 
Só encontro esparadrapos. 
O mundo feito um triângulo raso, 
De onde as flechas torcem a espinha.
Espírito antigo, 
Liberte-me das algemas dos meus pés...
Quero voar, 
Respirar a liberdade em paraísos do olhar. 
E esse amor, 
Distante e profano, 
Se torne a essência dos contornos imaginários
Das nossas mãos que se perdoam, 
Desde quando não existimos mais, 
Por tudo que fomos depois...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Coração



Agora que te encontrei, 
Coração. 
Selvagem e inconsequente. 
Rasgamos nossas ilusões, 
Adormecemos em nossas mãos, 
Iludidos com a eternidade, 
Do espírito livre, 
Sem a origem do tempo, 
Em lágrimas de solidão, 
Nesse espaço avesso da nossa matéria, 
Mergulhados no amor real, 
Que nos salva e protege, 
Dos ventos da maldade, 
Que nos atirou no chão, 
E sugou nossos sonhos.

domingo, 3 de agosto de 2014

Livro Pronto

 
 
 
 
Impressora nova
Papel reciclado
Sem grana para Encadernação,
Rendinha para enfeitar,
ISBN catalogado,
Falta a florzinha seca para dar o toque final...
Por enquanto só 30 exemplares....
Falta organizar o lançamento,
E ver o que acontece....
Mas muito, muito feliz :)
 
 
 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Sendo - Verbo?




Deus...
Que palavra para nos salvar?
Agora que tudo parece perdido, 
Nosso leito atirado no inferno...
Tentações menores, 
Sonhos maiores...
E precipícios em que caímos, 
Acorrentados em nossas fraquezas. 
O amor...
Desejo da liberdade, 
Perdida em outra vida. 
Agora, 
Deus...
Quem precisa de naves espaciais, 
Bizarra ilusão dos céticos, 
Poema da nossa desilusão. 
Os homens cavaram a minha sepultura no útero. 
Arranque as larvas, 
E os chips de controle de tempo. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

BEYOND





What is destiny, beyond our dreams?
Are we going to fall into the heart of the sun, 
Where we burned our shadows?
I've been thinking about no existence...
It's true?
Should I fall asleep?
And your kiss?
With your eyes changing the colors of my love...
Are you here, in this tears of our own loneliness?
Would you rescue ourselves for a last dream...
My poetry, my fears, 
My broken soul...
Hope...
Our only choise...
May God to exist?

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A Fé



Dos lados em que nos perdemos
Existimos em nossos sonhos, 
Em memórias guardadas, 
No silêncio de nosso olhar. 
Essas horas que parecem as últimas, 
Quando a madrugada nos afasta, 
Ou quando morremos em nossas mãos. 
O amor que nos deixou essas lágrimas, 
Nossos espíritos amaldiçoados, 
Nessas sombras que nos engolem, 
E nos destroem em nossas ruínas...
Parece fácil, deixar o deserto de nossos corações, 
Na nossa fraqueza diante de todas as vinganças, 
Mas essa vontade, 
Esse desejo de ver o céu se colorir, 
E dar um sentido para a esperança de nossas orações, 
Ainda é o que nos arrasta, 
Dia após dia, 
Para encerrar a noite, 
Em nossas roubadas ilusões, 
Nessa pele que ainda respira, 
Nossas últimas intenções...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Oração


Desse destino incerto aos meus olhos, 
Restando entre as frestas um céu que eu nunca vi, 
E um poema silencioso. 
Deus... Se a hora é precisa, 
Nos lábios que eu beijo, 
Guarda os vestígios da minha mortalidade, 
Dos tempos de sol, 
Quando o tempo vazio dos meus pensamentos, 
Erguiam castelos de sonhos...
Perdoa-me, meu amor...
Minhas asas... Precisam voar, 
e voltar para o seu coração...
Tudo que perdi... 
Eu já me esqueci...



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Às Margens da Maré




Essas ruas que sigo, 
Em que tempo não mais existirão?
Essas últimas roseiras, onde crescerão?
E nas janelas dos prédio de última geração, 
Quem não terá se suicidado?
Existirá papel quando ninguém mais quiser escrever?
Esse tempo de tantos adeuses, 
Quem quer se encontrar realmente?
Os casulos escuros dos nossos cobertores, 
Nossas feridas sem cura, 
A letargia diante da chuva que tudo alaga....

Mas ainda ouço pássaros...
Posso comprar um vestido de festa. 
Posso imaginar o amor eterno, 
Nesse Deus eterno, e cansado. 
Deus que quer esquecer das roseiras, 
E de tantos corações partidos. 

Uma Poesia






Dos lábios que se partem, 
Nessas horas de solidão. 
O amor, essa matéria que nos divide, 
No labirinto de espelho...
Como posso amar algo além, 
Ilusão frágil, espinhos no caminho.
As palavras, meu abrigo. 
Mentiras que eu não conto para mim. 
Vejo um rio distante. 
Neve que queima. 
Dois pássaros que voam...
É muito pouco essa distância?
Meus dedos, pequenas ilhas, 
Que tocam meus lábios, 
E inventam meu desejo. 
Meus dedos, pequenos escravos, 
Tocaram algumas nuvens...
Tudo virou pó. 


sábado, 25 de janeiro de 2014

Solidão

 
 
 
Essas metades que nos partem...
Existem histórias que nunca serão contadas,
E lágrimas que não precisam ser choradas.
Mas o tempo do orvalho é eterno.
Como a poeira do meu amor imaculado.
Hoje é sempre a minha última tentativa.
E me esqueço das florestas de pinheiros.
O luar parece o mesmo.
As estrelas que não existem mais ainda brilham.
Eu ando pelas ruas...
Sinto inveja até,
Dos quartos escuros.
Dos poemas de corações empedrados,
Que se agarram à suas solidões...
Esse refúgio da mentira de nossa vaidade,
E traidora da beleza de um sorriso,
Ou de uma lágrima de felicidade.
 
 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Beco

 
 
 
 

Às vezes a vida nos leva à becos sem saída.
Tão escuros e pensamos em voltar atrás,
Arranjar alguma vela.
Que palavras medonhas jamais teriam sido escritas,
Se não fosse exatamente um muro que se fechava atrás de nós?
E nesse chão de tantas pedras,
Nossos próprios muros caídos.
Mas basta erguer os olhos,
A visão sempre turva pela falta das lentes de contato,
E enxergar a luz lá adiante,
Roubada de alguma estrela.
Para nos guiar em seus rastros gelados,
E tentar fugir do calor artificial,
Dessas lâmpadas elétricas.
E desses fornos micro-ondas de última geração.
... 
Preciso de um copo de vinho.
Envelhecido na boca de algum poeta.
 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Roupas Nuas

 

Minhas roupas...
Poucas roupas,
Seios de sobra.
Deixo-me nua no céu azul,
As nuvens meu leito,
Num sonho...
Poucas roupas,
Os vestidos coloridos nos cabides...
Quem demora à essa hora?
Largos passos indecisos...
Boto fogo nos vestidos.
Já me viram nua, houveram pedras...
E agora danço.
Tiro minhas roupas no palco vazio.
Nem era atriz, não sabia fazer chorar.
E quem assistia, Meu Deus...
Já sabia.
 

domingo, 29 de dezembro de 2013

A Rosa

 

Era uma botão de rosa.
Era promessa para si.
Era a cor do seu sonho.
Os espinhos protegem.
Quem a toca, quem se fere...
Desabrochou. Pétalas macias.
Perfume que o Criador inventou.
Enfeitada em vestido de festa.
Mas lá mesmo,
No caule que a nutriu,
A rosa desfalece.
Foram os dias?
O sol estava forte?
E as pétalas murcham,
Douradas e secas.
De que valeu, rosa?
- Era rosa eu? Só estava morrendo de amor.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Traição

 

Hoje eu vi o rosto do meu assassino.
Chamou-me de irmã,
Depois cortou os meus cabelos,
E afiou o punhal.
...
Tem coisas que jamais serão esclarecidas,
E o mundo nunca será perfeito.
Algumas pessoas não se pode amar...
Embora tantas beijem os seus pés.
Algumas pessoas não se pode amar...
E eu sou uma delas...
Eu só era uma criança,
E fui violentada e morta como tantas...
Depois os homens bebem e ninguém se lembra mais.
Se eu voltar a ver o sol se pôr...
Talvez o sol seja azul.
E talvez Deus exista.
Só para mim.
 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Passado 3:00 PM

 

Onde estava que não me via?
Foram as luzes dos motéis,
O vinho tinto à beira do Lago?
De que serve o passado?
As poesias se foram,
Não me lembro dos beijos,
E dos eu te amo das minhas lágrimas.
Sei que houve sempre uma espera...
Flores não chegaram,
Os minutos desapareceram
Nesse imutável relógio dos nossos sonhos.
Eu podia me ajoelhar,
E implorar um sorriso antigo.
Mas por que eu sorriria?
As minhas roupas eu perdi naquela festa,
Distribuindo cartões de visitas para estranhos.
Beijei o homem que eu mais queria,
Acordei no dia seguinte com cólicas menstruais.
O céu ainda encantado,
Me espera para um último adeus.
Mas eu queimei todas as minhas fotografias.
 
 

Hemisférios Imaginários

 

 
Os desejos...
Estes que nos destroem,
Nas lágrimas que escorrem sobre o seu ventre,
Quando tudo ainda é tão pouco...
Meu amor em outro hemisfério,
E no espelho que eu não consigo vislumbrar...
Feche os olhos,
Erramos em um mundo de poetas desiludidos,
Acreditamos em nossas próprias fraquezas,
Mas o que nos resta,
Nos últimos segundos programados,
É a extensa vaidade de nossa ilusão...
Meus poros exalando o seu suor,
Lentamente me consumindo...
Agarrando-me as suas coxas violadas,
Objeto de ódio de todos os paradoxos
Esperando Mercúrio fugir da sua órbita,
E nos aproximar de alguma estrela.
 
 

domingo, 22 de dezembro de 2013

Abre

 

Era meia-noite.
As sombras acordavam famintas...
Os ratos subiam pelo esgoto,
E mordiam os pássaros adormecidos.
Eu procurava a chave
Da última porta trancada.
Me diziam que atrás do seu umbral,
Não havia medos, nem mentiras.
Fechei os olhos, engoli o sangue na minha língua...
Abra...
Que és?
É a virgem dos seus pensamentos.
E não havia ela morta em todas as ruas?
Sim, mas me resta um último suspiro...
Então suspiras?
Quero meu desejo, senhor...
Então entres, donzela...
E a chave?
Um resto de luz que se espreme entre as frestas...
 
 

Lábios





Desses lábios,
Que sei?
Mordeste os cantos à meia-noite,
E sorveste o meu desejo.
Mais profano que nossos beijos,
Quando o silêncio se faz,
É saber de tantos, ainda úmidos nos meus sonhos.
Seu batom vermelho,
Que demoraste à despir.
Borrando as vestes que eu ainda não tirei.
Seus lábios,
Que julgas doentes,
E indesejáveis.
Essa razão louca da minha existência.
 
 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mal

 
 


Atrás das cercas elétricas,
A escravidão da escuridão.
Ninguém me avisou que o final seria assim,
Procurando no céu um sol que eu não vejo brilhar.
Essa maldade que não tem fim,
No olhar de cada um.
Eu nunca te amei,
Mas senti pena do seu ódio,
E da sua ilusão.
Suas pegadas invisíveis em campos de batalha,
Seu sorriso desfigurado pelas vaidades que te seduziu,
Esse mundo injusto,
Onde tantos passam fome,
Precisam das suas armas para vencer.
Nesse lugar onde você reina,
E destrói a minha vida.
Lentamente...
Engolindo os meus dias com a ponta da sua lâmina.
Como poderá se olhar no espelho,
Sabendo que matou o seu Deus?
O único que podia te amar,
E que me abandonou para que você pudesse ter uma segunda chance?
Lance seus dados...
Falta pouco...
Um de nós vai perder.
E o outro nunca mais vai existir.
 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Amy

 
 

 
Esse nosso espaço vazio,
Onde eu encontro um sorriso,
Em meio às mentiras que inventamos para acreditar.
Sozinhas, nuas...
O mar é escuro,
Nos afogamos sozinha...
Eu espero a sua mão, e o seu abraço,
Duas meninas ainda,
Quando tantas parecem a mesma,
Que nos separa, e nos corrói,
Brigando por seus homens, e destruindo a inocência.
Você, minha irmã...
Que eu ouço distante,
E que me visita com a sombra dos seus olhos azuis.
Um paraíso para nossas filhas e bonecas de pano,
Isso deve existir...
Me leve de volta para casa,
Para o seu corpo,
Para que possamos nos amar,
E para confundirmos o nossos sonhos,
E chorarmos diante do espelho.
 
 

Nota de Um Suicida

 
 

 
Para onde vão?
O paraíso nunca existiu,
E nenhuma galáxia é atingível.
Esse mundo de crianças mortas,
E desejos perecíveis.
Eu tentei.
Sorri todas as vezes que me mataram.
Inventei palavras para me consolar.
Para acreditar que alguém me esperava.
De tudo, o que me resta?
Os dias se tornaram vazios,
O negro profundo desbotou o meu olhar.
Estou com sono...
Preciso dormir e não mais existir.
Talvez eu acorde daqui mil eras...
Cansada, a morte ao meu lado...
Apenas uma frase em um livro antigo para me consolar.
O amor que eu não posso tocar,
Esvaindo-se na distância da minha solidão.
Adeus...
Os becos escuros onde sujei os meus lábios,
Esses não posso iluminar.


Em Outro Paralelo





Ouça...
O vento se move, respira...
Soprando a areia em nossos olhos.
Demoramos a nos envergar, 
Mas a luz brilhou em nossa retina, 
E transformou nossas vidas em amor.
E aqui, nesse tempo que nos é eterno, 
O que se move em ódio não vence nossos sonhos. 
Caminhamos abraçados, 
E tudo mais que podíamos ser. 
O paraíso é aquele barco que navega distante, 
E as pedras aos meus pés, fragmentadas pelo sal, 
Brilham sob o sol...
E a paz que o silêncio nos trouxe, 
Preencheu nossos sorrisos de palavras não ditas. 


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Desabafo





O azul ainda é uma mentira, 
Um espaço entre o cinza e o grotesco. 
Atiraram-me moedas, 
Comprei alguns livros. 
A dor de cada um é a desilusão diante do espelho. 
E os trilhos do metrô não levam à lugar nenhum. 
Espero. 
Os dias são iguais, há sempre um 17 de dezembro. 
Há  quinze anos atrás eu provavelmente chorava. 
Acreditava no amor. 
Mas arrancaram o meu vestido. 
Acordei bêbada na sarjeta. 
Um estranho investigava as minhas coxas. 
Hollywood está bebendo champanhe. 
E o câncer não tem cura. 
Fumo um cigarro, imagino um paraíso distante, 
Aqui as pessoas cometem suicídio. 
Ontem uma menina caiu num buraco e morreu. 
Não vai mais saber das notícias da TV. 
O céu é azul?

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Amor

 

Meu amor...
Minhas palavras tão insuficientes pra você,
E o meu olhar tão encantado para te seduzir...
Essa loucura,
E minhas mãos sobre o seus seios...
Madrugada alta eu desperto,
E sorrio nos seus pensamentos,
Ainda falta, nosso tempo,
Insuficiente para o meu desejo.
E essa dor, e meu resto de esperança...
Num céu onde o amor sempre resiste,
À todos os erros do destino.
Abra as suas asas,
E me proteja com as suas lágrimas,
Misturadas à minha dor,
Quando procuro nossa alma
Em algum canto da parede,
Assombrada pelo desencanto dos nossos medos,
E grudada nos nossos beijos.
Eu te amo assim.
 
 

O Poeta

 

Será?
O que é esse tempo que separa os versos?
Esperam incansavelmente a elevação de seus suspiros.
Homens sempre amaram,
Mas eu nasci nesses dias.
Fazia frio e havia poucos livros na prateleira.
Qualquer poeta sabe que existe um infinito,
Onde não existem guerras,
E tudo é silêncio.
Mas aqui, tropeçando em nossos pés,
E sujos pelos nossos desejos,
Qualquer copo de vinho é pouco.
Choramos lágrimas por amores não correspondidos,
Nos acreditamos imortais.
Então olhamos a fumaça preta que sai da chaminé...
E o tempo se torna pouco,
Raso como uma bacia de água na seca.
Amor eterno?
Eu queria Deus,
Irônico e sem pressa.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Eternidade

 


Talvez só nos reste um emaranhado de fios,
Seu olhar tocando o resto dos meus seios,
A ponta dos meus dedos se enroscando nos seus cabelos,
A distância entre as estrelas em linhas retas,
Os galhos secos de árvores que existiram,
Um feixe de luz na escuridão,
Vestígios de saliva em nossos travesseiros,
Meu gozo branco se perdendo no leito de algum rio,
Um filete de sangue escorrendo pela minha garganta,
O vapor gelado de algum cometa,
As órbitas imaginárias de planetas que nunca colidiram,
Horizontes não vislumbrados,
Raios de uma última chuva.
Fios sem eletricidade durante o apagão.
Seus pelos brancos no meu ventre nu.
Uma linha contínua na tela do computador.

Ladrilhos do Quintal

 

 
Debaixo dos ladrilhos,
No quintal de menina,
Eu ainda respirava.
A terra lenta, infestada de vermes,
E as crianças eram fantasmas brancos.
Ouvia um choro de criança,
Mas as portas estavam trancadas,
E os ratos famintos,
Me levavam ao suicídio.
O tempo passava na televisão em preto e branco,
Nenhum relógio tinha mais ponteiros.
E eu me confundia às pedras pequenas,
Trituradas e misturadas com o cimento.
As minhas mãos amarradas com arame,
Ervas mortas nos meus calcanhares.
E eu não perguntei o porquê.
Inventaram guerras,
E a juventude passava fome.
Mas alguma coisa estava obviamente errada,
E o fio de linha arrebentou.
Depois era outra manhã,
E dos ladrilhos nasceu a minha semente.
 

Raio

 


No topo de cada edifício,
Esperamos por você.
Com as mãos sangrando,
E os pés aterrados com chinelas havaianas.
O céu se escurece...
Chuva de nossos rios evaporados,
Mais limpa que nossos rios poluídos,
Chuvas atômicas,
A eletricidade que escapa,
E propaga trovões.
Fujo das árvores,
E dos postes com transformadores de alta-tensão.
Fecho os olhos, me afasto da janela.
Eu sei dessa ira,
Essa perfeição luminosa expansão.
Luz das estrelas ecoadas num fio de água,
Destinos que se chocam com a terra.
Essa nossa terra sagrada,
Que flutua no fogo,
Beirando as rupturas do universo.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Folhas Secas

 


Duas folhas partidas,
Caídas no chão.
Desprendidas dos seus galhos...
Foi o tempo, o vendaval, as lagartinhas? 
Quase secas...
Quase cinzas...
E aqui estamos,
Nus e dobrados,
Quase se misturando ao pó vermelho
De todas as ambições...
Mas...
Ainda tenho sede...
Restos de seiva resistem.
Ah...
Se pudesse me desfazer de tantos erros,
Você não estaria morrendo ao meu lado,
E talvez nossa transparência viva,
Se tocasse outra vez,
Em outro vento...
De relance...
Brotando umas amoras entre nós.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Brasil

 
 
Essa terra de ninguém...
O que espera?
Nossos filhos já se perderam,
Saquearam nossos corações.
E as estradas destroem os carros em contramão?
É a miséria desse tempo perdido?
Ou são sementes que lutam entre as pedras?
Eu viajo pelo tempo,
Observo essas montanhas, e esses rios...
O Deus ainda é o mesmo,
Mas às vezes fecha os olhos.
Acreditamos em Virgem Maria,
Essa santa de uma terra distante,
que lavava os pés quando ainda éramos índios.
Plantamos café, procuramos ouro,
Inventamos guerras de fronteiras,
E matamos uns aos outros.
Essa chuva nunca vai chegar.
O hemisfério orbita sozinho.
E o medo ainda nos assalta em cada esquina.
Eu estou cansada.
Sonhei com esse céu,
Observei todas as casas à beira da rodovia.
E o que vejo é um negativo cinza.
Um ódio reprimido de geração em geração.
Quando seremos realmente livres?
 
 

Milagre

 

 
Deus de todas as catedrais...
Não te cansas dessa cruz?
O céu obliquo já lavou as tuas lágrimas...
Milênios se passaram com  o pó mortal...
Sepultadas estão todas as poesias...
E os milagres hoje são da medicina.
Oh, Deus...
Tantas guerras sujam seu nome.
E todos fogem dos raios,
Míseros em toda a sua magnificência.
Os salmos são poucos, não consolam...
A esperança é um ramo de pinheiro,
E desola...
Seus santos, Deus...
Alcançaram o paraíso?
A eternidade parece tão frágil...
Os corações alimentados por paixões,
Caídos na escuridão.
Perdoa, Deus...
Esse punhado de pecados nas minhas mãos.
Acho que foi o vinho...
E esse sangue, Deus... Beba de madrugada.

Sol

 
 


Solitário...
O sol não tem pressa...
O calor distante,
Ainda apaixonado pelas flores.
Inventa suas explosões atômicas,
Mergulhado em seus devaneios.
Às vezes tem vontade de dormir...
Essa miserável Terra habitável...
Ai, que sono...
Por que não se mudam dessa galáxia?
Tantas estrelas maiores...
Mas fazem tanto barulho...
Esse sol silencioso...
Oito minutos de luz depois de sua morte.
Para quê?
É o tempo que precisa para desaparecer sem ser visto.
Ah, sol...
Onde vais se esconder?
E o sol responde...
Queria ser um cometa...

Epitáfio

 


Aqui jaz...
Um sonho de redenção,
Uma lágrima de sangue,
Um seio dolorido,
Um olhar cego,
Dois pés em caminhar perdido,
Duas mãos entrelaçadas,
Um coração fraco,
Unhas roídas,
Um pulmão que não escalou nenhuma montanha,
Um útero que não gerou nenhum filho,
Uma boca que desistiu de tantos beijos,
Um gozo que cristalizou,
Um deus esquecido,
Um livro que nunca foi lido,
Aqui jaz...
O cheiro da minha mulher,
em um corpo violado.

 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ruinas

 
 



Ruínas...
Nosso amor desmoronado,
Sepultado...
As janelas quebradas,
O ódio em hera maldita nos tornozelos,
Fantasmas na escuridão,
Escondendo-se nos vãos da porta.
Pichações nos muros onde eu escrevia teu nome,
Morcegos se escondendo debaixo do telhado.
Bombas-relógios esperando a implosão,
De todo esse nosso desejo reprimido,
Nossas roupas poucas sujas de lama,
Onde os porcos se alimentam.
Aqui não cresce uma flor,
E nenhuma prece consola.
No encanamento velho, dezenas de ratos.
E nos sufocamos com inseticida.
Os livros velhos da estante,
Alimentando as traças com ilusões.
E no fosso vazio da esperança,
Juntamos os ladrilhos do nosso coração partido.
 
 

Calçadas Vazias

 

Eu ando por essas calçadas...
Quanto tempo ainda nos resta?
Não conto os minutos, apenas os esqueço.
São Paulo em devaneios da madrugada,
Se vendendo barato em qualquer esquina,
Por uma carreira de cocaína,
Ou por um quarto de hotel.
Quando o dia clareia,
E a noite nem existiu por causa dos pesadelos,
Eu me lembro o quanto estás distante,
E essas calçadas se tornam vazias...
Para que lado olhar?
Lá vem um carro com uma placa EZA 1327.
Ou um menino com um revólver debaixo da camiseta Nike
O farol vermelho dura trinta segundos.
Na esquina um mendigo se enrola em trapos,
Sobram frutas podres na feira de sexta.
Eu tento cantar, mas não consigo.
Algo me aperta a garganta...
Tudo isso é por causa de dinheiro?
A minha poesia impressa no papel,
Todo o meu valor.
 
 

Pele

 


Nessa pele...
As cicatrizes do tempo,
E das paixões que me sangraram.
Nesse pele...
O suor quente,
Escorrendo lento.
E as lágrimas que vincaram o meu rosto.
Nessa pele,
As marcas dos canivetes,
Afiadas lâminas da traição.
Nessa pele,
Todos os pelos que ainda crescem,
E três tatuagens.
Nessa pele,
O desejo de te tocar,
E os meus seios para te proteger.
Nessa pele,
Observando as veias que ainda pulsam,
E a minha palidez mórbida.
Nessa pele,
A cruz ingrata,
E todas as minhas feridas expostas.
 

Hope







Thanks God... There's still the blue. 
Other colors, they run into gray.
The misty of our hearts, 
seeding hours of hope. 
See... I almost can touch. 
There's a silence that still waits...
No a winter to cold us forever...
With a fever in  entwined hands. 
A kiss sealed beyond our castles, 
Where we got rid of our clothes. 


Feridas





O que procuro?
Seu olhar me incitando à eternidade. 
Se dormimos, 
Os braços de estranhos nos acolhem, 
E raptam a inocência, 
E sufocam o desejo. 
O amor não tem sentindo, 
Longe dessa ilusão, 
Dessas suas asas quebradas, 
Sua mão sobre o meu seio, 
Navegando em mares gélidos, 
À sombra dos naufrágios, 
e dos fantasmas de seus mortos. 
A corrente pesa, 
Oxidada pelo vento. 
As lágrimas choram pedras, 
sob o asfalto de pergaminhos vazios...
Deus já se foi...
Cansado de tanto lamento. 

Moça





A moça no espelho,
Retocou o batom, 
Não mostrou a língua. 
Prendeu os cabelos, ébano da escuridão...
A moça do espelho não tem razão. 
Me faz chorar, é bela ainda. 
Os brincos baratos comprou na feira, 
Enfeitou a trança com uma flor de cetim. 
Seus lábios procuravam o meu beijo, 
Mas o espelho frio tinha gosto de prata. 
A moça no espelho, 
Disfarçou o sorriso, 
Pintou os olhos, 
Fez feliz por alguns instantes...
Escute, moça...
Esse reflexo pálido há um metro de distância, 
É a moça da minha vida. 

domingo, 8 de dezembro de 2013

Paixão

 
 


Doente...
Esses beijos que ninguém mais deu.
Essas mãos nas minha coxas,
O sorriso testando meus amantes.
 
Doente...
O aperto no coração quando penso em te esquecer,
Sua fotografia na moldura prateada.
A garrafa de vinho vazia no meio do filme francês.
 
Doente...
A nossa casinha vazia, arbustos crescendo,
As ruas ensolaradas esperando os meus passos,
Um oceano gravitacional.
 
Doente...
Seu suor se misturando ao meu,
Minha língua nos dedos seus,
As músicas perdidas sintonizadas no rádio.
 
Doente...
Sonhando a morte para a eternidade,
Misturando os pés gelados debaixo dos lençóis,
Gozando em meios as tragédias desse nosso Deus.


Procura-se


 
Existe uma placa me indicando você?
O caminho dessas ruas,
Os estranhos nos bares.
Eu procuro atrás dos vidros,
Dos carros no congestionamento.
Procuro nas janelas desperdiçadas,
Na Avenida Brasil.
Eu te procuro nos copos vazios,
À meia-noite nos quartos de hotel.
Eu te procuro nas legendas dos filmes,
O eu te amo sussurrado no meu peito.
Você, que eu procuro nas páginas da revista,
Um vestido novo que eu ainda não te dei.
Procuro nos casais apaixonados,
O beijo que eu inventei.
E às vezes eu me esqueço...
Eu ainda não te encontrei.
 
 

Deus



Nossas perguntas,
No emaranhado dos prédios.
Esse silêncio...
Meu Deus... É você?
Para que nos deixou mudos,
Chorando as nossas paixões?
Acaso não ama as lágrimas no espelho?
Às vezes te vejo sádico,
Tomando champanhe em Cannes,
Vendo a Nicole Kidman nua.
Mas às vezes, sente fome em Mumbai.
Riu quando mumificaram Ramsés?
Ou chorou quando a menina judia morreu na câmara de gás?
Deus,
Na contramão da rodovia em Los Angeles,
E sepultando Dona Maria em Iguala.
Deus dos metrôs lotados da Barra Funda,
Deus que julga meus desejos às 2:00 PM.
Eu sei que adora poesia,
E que não se importa com os revólveres engatilhados.
Mas Deus, eu te imploro...
Se nos deixar sozinhos...
Eu a menina da China...
Que palavras ainda nos servirão?

 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...